domingo, 23 de maio de 2010

Família

Por volta da hora de jantar, uma janela fechada no chão não pára de voar.

O ladrar do cão anão, faz-me vomitar. A televisão fala com o sofá, enquanto este lê o sensacionalismo do jornal, que nele se encontra deitado.

No ar o cheiro do guisado torrado, queimado de tanto ouvir a rádio. Na novela da cozinha, a mesa canta sozinha, enquanto o gato de pedra pia. Lava o chão podre, ao alimentar-se rasga a capa de papel. Alimenta-se a parede que tem por baixo dos pés.

A Lua tosse de dentro do aquário que tenho na varanda.

O cão voltou, a janela também.

Fecho o telhado e deixo o céu lá fora a uivar. No meio do chão deito o guisado, que reclama com o jornal que o deixou queimar.

A televisão continua a falar com o sofá, sem que este lhe responda. Levanta-se da sala e vai ao micro ondas buscar uma cola fresca. A lata ladra por a agarrarem, bufa depois para no fim se mijar.

Que bela harmonia, no mundo do fantástico. Sós e apenas sós, os pedaços de vida que nos rodeiam, são apenas ………

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