sábado, 17 de novembro de 2012

Poeira humida


A chama do desconhecido emana uma forte sombra,
Onde me vejo reflectido.
Deixo de beber a água que nasce em meus olhos,
Para poder ver a poeira que chove.
Com um sopro a poeira pousa em minha mão
E nasce de novo o Sol.
Regado pelas lágrimas que deixei de beber
Perco a minha sede de distância
Para te ver nascer.
Chama do deserto que me acompanha,
Quando não te vejo crescer.

 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Perante o tempo


Perante o tempo,
Longe do olhar.
Sentes o vento
No teu caminhar

Paras no teu sentir
Privado de pensar
Caminhas à vontade,
Mas não consegues andar.

Queres gritar,
Mas a boca tens colada
Tentas então falar
Com a tua língua cortada.

És livre,
Só não tens essa noção.
És tu ,
Livre e sem perdão.

Estátua  sem pedestal,
Matas o que queres,
És milho de um pardal
E escravo das mulheres.

És livre,
Sem saberes o que isso é.
És tu,
Mas não te seguras em pé.

És livre, de o não ser.
Estás morto,
E não sabes o que é viver.

Morre novamente,
Tenta ser livre
E morres na nascente.

Nasce então,
Ser livre, de viver.
Arrepende-te do perdão,
Liberta-te ao morrer.

Morre só ,
Livre.
Torna-te a liberdade,
Deixa de existir.

 

Pedra chorada


 
A pedra que eu pisava, gritava alto o meu nome e eu sem ser surdo não a ouvia, o meu caminhar não me permitia. Certo de meu caminho pisava pedra a pedra, sem ouvir quem me chamava. Nada me podia mover de meu destino, nem a pequena pedra que lá atrás pisara. A pedra de suas fileiras saltou e com pequenos saltos seguiu-me gritando o meu nome. Eu não estava longe mas mesmo assim não a ouvia. A pedra, essa não desistia e depois de gritar mil vezes o meu nome, gritou bem alto uma só vez, o teu. O meu coração parou, quase ao mesmo tempo que meu caminhar. Ao ouvir tão belo som, não mais consegui andar, virei-me então e vi a pedra que nada mais era senão uma lágrima tua perdida na calçada de meu caminho.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Longínquo

Longínquo, afastado daquela margem, ali em outro lado, ali no meio do céu. Junto do Sol, aqui longe de mim, já aqui junto ao chão, logo aqui, longe de ti. Perto do céu, junto ao coração que trago na não, quente. Iluminado, cheio de teu ser, paixão.

Desalmado

Desalmado, desloco-me no exterior do Mundo, sem alma. Passos soltos sem ritmo avançam sem destino no caminho do, tem de ser. Não me perco, não desisto e contínuo estes passos que no final vão dar a ti, minha Alma. Sempre a ti minha vida.

CHORO


 

Ouço chorar,
Ao longe vejo o seu destino
E quero encontrar,
Onde chora esse menino.

As seus pés o solo húmido,
De tanto se molhar,
Dentro de meu ouvido
Ouço lágrimas a cantar

É tamanho o sofrimento,
Mas o seu chorar é seco
De dentro sai o lamento,
Deste articulado boneco.

Ouve-se ao longe,
O seu berrar.
O grito que pelo céu foge,
Sem ninguém o agarrar.

A fome é o seu desespero,
A sede o de seu irmão.
Seus dedos são de ferro,
De areia o coração.

Com as lágrimas,
Que chora,
Dá de beber ao seu irmão,
Que de sede já nem chora.

Seu chorar para,
Seu irmão acabou de beber,
A sede saciara,
E a lágrima não se pode perder.

A lágrima é de ouro,
Mais valiosa que tudo.
A vida é seu tesouro,
Que guarda lá no fundo.

A lágrima pode perder,
Por mais valiosa que seja.
Mas a lágrima não pode valer,
Mais que o irmão que beija.

A água é a vida,
É esse o seu valor,
Nunca será esquecida,
Pois a vida é o seu sabor.

Ao saborear a lágrima,
De sal é o seu sabor,
Assim é a vida,
Quando tanto é o seu valor.

Doença é a morte,
Que nem a chuva,
Remedeia.
Só a lágrima o alivia.

Seu sangue é transparente,
Sua dor é secante,
Na felicidade ausente,
Viver é importante.

 

“Pedras de vidro liquido”


 
Os olhos que temos,
Não são as coisas que vemos.
A sombra que escondemos,
É na verdade o que somos.
Todos os outros são irreais.
São personagens de uma “História”.
E nós simples mortais,
Sem futuro nem memoria.
Quando acordares,
Estarás morto,
Sem te lembrares do teu vulto.
Olhas em redor
E nada vês.
Sentes o calor
Fugir-te dos pés
Estático permaneces deitado,
De pé na tua mente.
Sentes a falta de ti,
Ou de qualquer outro presente.
Estás só
O que sempre foste.
És o nó,
Que tu próprio deste.
Não podes desatar,
Nem sequer o podes cortar.
A memória do teu passado
Não consegues apagar.
Aquilo que agora vês,
É a fome de viveres
Mas ao invés
Só estás a morrer.
A morte é o futuro,
Sem a vida ser o passado.
O teu corpo é um muro
Que não consegue ser amado.
Permanece como estás,
Verde como a carne
Podre do teu coração.
Torna-te imune
Á tua própria destruição
Adeus Homem,
Que de Humano nada tens.
Os canibais que te comem,
Não são apenas animais.
São tudo o que tu és,
Também comem vegetais
A razão deles não vês,
E as suas preces são banais.
Os teus olhos são pedras,
Os nossos também.
Com eles nada tens,
Sem eles nada vês.

 

 

Olhos vidrados


Olhos vidrados

De tanto olhar
Lábios molhados
De tanto beijar
Mão tremula,
Pele suada
Fluídos leves
Com toques desejados,
Respirações breves
Agitação
Com a humidade
De uma penetração,
Sinto o interior que me seduz
Conjugação de ritmos
Musica maluca
Aquilo que juntos fazemos
Com a mola metálica,
O timbre da tua voz
É quente,
O som que a  minha pele produz
Quando a tua sente,
Vem então o refrão
Quando te exaltas.
Maravilhosa sensação
Quando te libertas
Então de tanto sentir o teu interior ,
Fico vazio,
Entre o prazer e a dor.
Saio então
Com o saco de embriões mortos,
Com fim e sem perdão,
Que saíram dos meus ..........
Então ?
De novo outra vez?
Não....
Talvez não ...
Assassinatos
Sim...
Talvez sim...
Bonecos

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...........