terça-feira, 20 de novembro de 2012

Seres húmidos em Terra; seca!



De volta à Terra; sito seco e árido; De volta!
Acabado de aqui cair, quase me afogo em tanto líquido; seco! À minha volta seres moles olham para mim, tanta humidade em cada um.
Não consigo levantar-me, o chão rijo que me ampara não o permite. À minha volta os seres multiplicam-se, moles, húmidos, prestes a explodir e a derramar toda a humidade que trazem consigo; viscosa; peganhenta…
De volta à Terra, árida, vazia; sugada por seres que a beberam, seres húmidos gordos que me olham; multiplicam-se…
Depois de aqui cair olho para mim, enquanto humedeço o chão de terra onde cai.
Sinto me esvaziar, dou de beber à Terra seca, que me bebe. Liquido avermelhado, espesso e gelatinoso.
A dor, que dor!
Quase vazio olho o Sol, quente, que faz derreter a multidão de seres, húmidos gordurosos…! Gotas forma-se na sua pela, não em seus olhos; secos! Gotas atrás de gotas chovem à minha volta. Dão de beber à Terra onde cai. Onde me tornei seco, onde toda esta multidão de seres húmidos se tornara seca. Onde cada um destes seres, húmidos será rodeado por uma outra multidão de seres húmidos e se tornara seca; e se tornara terra; esta Terra.  

 

Seres banais,


Seres banais,
Todos,
Vivem carnavais.
Seres surdos, mudos,
Anormais,
Longe dos mundos,
De posturas abismais.
São suas,
Não o sendo
São uma e não duas,
Mas nada vão parecendo.
Molde desfigura a realidade,
Torna- se podre,
Sua maior lealdade,
Leal à sua forma,
Desleal a si mesmo.
Para fora nada mostra,
Mostra apenas
A figura morta,
Da deusa Atenas.

Mascaras,
De seres desfigurados,
São figuras,
De seres acabados.

Acabado de morrer,
Fingem agora nascer,
De si mesmos a fugir
Longe, mortos a viver.

Vivem a ilusão,
Que outros vêem,
De si mesmo são paixão,
Aquilo que os outros tem.

Obscuridade,
Estranheza do frio,
Beleza da verdade,
Escondida por um fio.

Disfarce,
Moda fantasma.
Bonecos de um demente,
Que vestem a sua forma.

Luas brilhantes,
Pensam ser sois,
Tão distantes .
Como nos dois.

Pontos,
Não linhas,
São contos,
Histórias minhas.

Histórias de luz,
Que parecem sombra,
Não nos seduz,
Apenas nos assombra.

Aves que falam,
Homens que calam,
Notas que cantam,
Seres que não sentem.

Rostos ,
Rostos belos ,
Sem expressão,
Sorriem no escuro
Sem razão.

Rostos de sofrimento,
Mascaras toscas,
Do pensamento.

Rostos humanos,
Novos tristes
Alegres veteranos.

Rostos pobres,
Alegria disfarçada,
Rostos podres.
Com a alegria roubada.

Rostos humanos ,
Usados,
Velhos e profanados,
Pelas mascaras marcados

Rostos.

Rostos sem sentido,
Rostos tristes,
De não terem vivido,
Mas sim fingido.

Para quê?
O fim é o mesmo.

 

 

Sem luz,


Sem luz,
Sem sombra,
Apenas se conduz
Este ser que vos assombra.

Vós,
Corpos próprios,
Sempre sós,
Com os vossos vícios.

Não vês por dentro,
Não sabes,
Estás morto
E nada ouves.

Estás doente,
Mas mostras-te saudável,
enganas-te,
és um ser desprezível.

A droga do nosso ser ,
É a  aparente normalidade,
Em que todos estão a viver,
Sem ter essa vontade.

 
Leve estranheza,
Aquela que sinto,
Quando veja a natureza
Do INF INITO.

Mascaras que vestimos,
Para os outros agradarmos,
Nos seus pensamentos.
São aquilo que dos outros vemos,
E de que facilmente gostamos.
O maior dos nossos encantos,
É a beleza que vemos,
Mas a maior beleza, que temos,
É aquela que não vemos.

Cirúrgico

Cirúrgico, enquanto contorno, suavemente, com a ponta do dedo as delicadas linhas de teu rosto, sinto tudo o que vejo.
Recorto com precisão cada forma de teu corpo para guardar em meu desejo anestesio-me com o teu perfume.
Morro para poder ser reanimado.

Casulo de Nylon

   









Preso num casulo de nylon.
Pendurado num chão com lágrimas de vidro, gotas avermelhadas escorrem-me pelo rosto, aterrando de seguida num tecto de algodão transparente.
Vejo o céu, que se torna vermelho com o meu chorar.
Preso espero que a chuva me salve

Em queda

Em queda, abismal.
Voo picado de dimensões desconhecidas, destino certo no final deste salto.
Corro, deitado sem que sinta qualquer perna, nado em seco apenas para ti.
Abismo de meu viver, obscuro, aguarda por meu chegar.
Quero em teus braços pousar.