Na duvida, olho
Penso no que vejoMato o que ouço,
Com a frieza de um beijo.
Ao vomitar essência
Vejo meus órgãos no chão,Não gosto da sua aparência
E vomito o coração.
A repugna aumenta
Não posso olhar; arranco os olhosE junto-os à ementa
Mas sobram alguns alvéolos
Corto então a garganta
Para não respirarSó a corda canta,
Tenho também que a cortar
Mesmo assim existo
Até alguém me devorarDeixo de existir
Apenas no meu pensar
Existo agora dissolvido
Em pedaços de carneDentro deste belo leopardo
Que aos poucos me consome
De carne passo a fezes
Largado no chão novamenteSeres infelizes
Pisam-me constantemente
De merda passo a relva
De relva a alimentoAlimento a selva
A todo o momento
Sou toda a existência
Até cair num buracoSou simples aparência
Do meu existir fraco
Morro sem saber
E acabo por me matarVivo sem querer
Até ao meu acabar
Branco
Que logo escurece
É o existir
Que logo se esquece
O branco apaga-se
No fundo de tudoE logo desaparece
No buraco do mundo
De branco passa a preto
A existência apagoE torno este, o momento
Em que acabo.
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