Ao redor tudo calmo,
calmo como o vento que não bulia. A luz fosca que se escondia, era a alma desse
dia.
O cheiro molhado da
terra, fazia lembrar a chuva que não cai. O som dos pássaros era o silêncio,
que qualquer surdo ouvia.
No centro a agitação
da água nas poças, fazia pingar o humor dos mosquitos, que nelas se procriavam.
A melodia minimalista que entoavam, com bater das suas asas, fazia lembrar o murmurar
de qualquer missa.
No meio de tudo
isto, no meio do nada. Os homens doentes que carregavam, os mortos, enquanto os
morriam de inércia. Atolados no cheiro a tinta, do papel prensado que cultivam.
A dificuldade desta
cultura, obriga a grandes esforços;… dos escravos, que para eles trabalham. Os
doentes e os mortos, que apesar de sãos, não pesam na mente, nem tão pouco no
coração destes esquecidos irmãos.
Filhos da
Humanidade, que é não “existir”. A presença do Sol na vida de vários seres é
esquecida, até ao minuto em que esta se apaga.
É assim que a vida é
regida, pela a necessidade de “comermos”. As limitações de sonhar, são cada vez
maior e o tempo de estar acordado, cada vez menor. Vivemos adormecidos, no
nosso dia a dia. Vivemos mortos a nossa “riqueza” e esquecemos a nossa
“beleza”; o sermos Humanos.
O significado desta palavra,
não acompanha o que a Historia, sobre ela. Nos revela. Pois, mais Humanos são
os mosquitos que na poça procriam. Ao invés nos Humanos, que de lama
alimentamos os nossos irmãos; e no pó os enterramos. Queremos ouro para os
nossos filhos e larvas para os filhos dos outros.
Ò Homem, que Humano és tu?! Que tens mais coração, para as
lavras que alimentas com a tua carne, do que por ti próprio.
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