segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Inicio para no Fim


Na duvida, olho
Penso no que vejo
Mato o que ouço,
Com a frieza de um beijo.

Ao vomitar essência
Vejo meus órgãos no chão,
Não gosto da sua aparência
E vomito o coração.

A repugna aumenta
Não posso olhar; arranco os olhos
E junto-os à ementa
Mas sobram alguns alvéolos

Corto então a garganta
Para não respirar
Só a corda canta,
Tenho também que a cortar

Mesmo assim existo
Até alguém me devorar
Deixo de existir
Apenas no meu pensar

 
Existo agora dissolvido
Em pedaços de carne
Dentro deste belo leopardo
Que aos poucos me consome

De carne passo a fezes
Largado no chão novamente
Seres infelizes
Pisam-me constantemente

De merda passo a relva
De relva a alimento
Alimento a selva
A todo o momento

Sou toda a existência
Até cair num buraco
Sou simples aparência
Do meu existir fraco

Morro sem saber
E acabo por me matar
Vivo sem querer
Até ao meu acabar
 
Branco
Que logo escurece
É o existir
Que logo se esquece

O branco apaga-se
No fundo de tudo
E logo desaparece
No buraco do mundo

De branco passa a preto
A existência apago
E torno este, o momento
Em que acabo.

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