No deserto que é a sua existência;
Vivem o desespero do dia a dia ,
Treinam a sua vivência,
Sem qualquer filosofia.
Pedaços de carne plantam,
Por não terem de comer;
As unhas dos pés arrancam,
Para a dor, poderem esquecer.
A tábua que trazem no corpo
É o tronco disfarçado;
Os lamentos que guardam, num copo,
São amor apagado.
No caminho que percorrem;
Os buracos, deles se escondem,
Neles caiem e morrem;
Ou então deles fogem.
Quando nos buracos caiem,
Dentro deles habitam.
De lá já não saem,
A não ser quando levitam.
Suas mãos são coutos,
Os seus pés são calos,
Seus cabelos folhas mortas
E os seus dentes talos.
A luz dentro de sua cova,
É a água do dia;
É rara como a chuva
Que no deserto caía.
Os seus ossos estavam secos,
Até que em pó se transformaram.
Seus pensamentos são apenas becos,
Pois as suas memórias se apagaram.
Apagaram a sua vontade,
Numa cama estão estendidos.
Fogem da verdade,
E de existir estão esquecidos.
Esquecidos o vento,
Lembrados como a água.
Esquecidos como um morto,
Fechados em sua magoa.
São apenas homens, como todos os cães, que habitam esta
esfera de espuma.
São apenas deuses que sopram aos ouvidos das nuvens, que
choram de os ouvir.
Choro que é a chuva, lamento por tal desastre. A tua
existência é uma arte, que não compreendes, mas insistes em explicar;………..
Homem!
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