Ouço chorar,
Ao longe vejo o seu destinoE quero encontrar,
Onde chora esse menino.
As seus pés o solo húmido,
De tanto se molhar,Dentro de meu ouvido
Ouço lágrimas a cantar
É tamanho o sofrimento,
Mas o seu chorar é secoDe dentro sai o lamento,
Deste articulado boneco.
Ouve-se ao longe,
O seu berrar.O grito que pelo céu foge,
Sem ninguém o agarrar.
A fome é o seu desespero,
A sede o de seu irmão.Seus dedos são de ferro,
De areia o coração.
Com as lágrimas,
Que chora,Dá de beber ao seu irmão,
Que de sede já nem chora.
Seu chorar para,
Seu irmão acabou de beber,A sede saciara,
E a lágrima não se pode perder.
A lágrima é de ouro,
Mais valiosa que tudo.A vida é seu tesouro,
Que guarda lá no fundo.
A lágrima pode perder,
Por mais valiosa que seja.Mas a lágrima não pode valer,
Mais que o irmão que beija.
A água é a vida,
É esse o seu valor,Nunca será esquecida,
Pois a vida é o seu sabor.
Ao saborear a lágrima,
De sal é o seu sabor,Assim é a vida,
Quando tanto é o seu valor.
Doença é a morte,
Que nem a chuva,Remedeia.
Só a lágrima o alivia.
Seu sangue é transparente,
Sua dor é secante,Na felicidade ausente,
Viver é importante.
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