terça-feira, 13 de novembro de 2012

CHORO


 

Ouço chorar,
Ao longe vejo o seu destino
E quero encontrar,
Onde chora esse menino.

As seus pés o solo húmido,
De tanto se molhar,
Dentro de meu ouvido
Ouço lágrimas a cantar

É tamanho o sofrimento,
Mas o seu chorar é seco
De dentro sai o lamento,
Deste articulado boneco.

Ouve-se ao longe,
O seu berrar.
O grito que pelo céu foge,
Sem ninguém o agarrar.

A fome é o seu desespero,
A sede o de seu irmão.
Seus dedos são de ferro,
De areia o coração.

Com as lágrimas,
Que chora,
Dá de beber ao seu irmão,
Que de sede já nem chora.

Seu chorar para,
Seu irmão acabou de beber,
A sede saciara,
E a lágrima não se pode perder.

A lágrima é de ouro,
Mais valiosa que tudo.
A vida é seu tesouro,
Que guarda lá no fundo.

A lágrima pode perder,
Por mais valiosa que seja.
Mas a lágrima não pode valer,
Mais que o irmão que beija.

A água é a vida,
É esse o seu valor,
Nunca será esquecida,
Pois a vida é o seu sabor.

Ao saborear a lágrima,
De sal é o seu sabor,
Assim é a vida,
Quando tanto é o seu valor.

Doença é a morte,
Que nem a chuva,
Remedeia.
Só a lágrima o alivia.

Seu sangue é transparente,
Sua dor é secante,
Na felicidade ausente,
Viver é importante.

 

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