Os olhos que temos,
Não são as coisas que vemos.A sombra que escondemos,
É na verdade o que somos.
Todos os outros são irreais.
São personagens de uma “História”.
E nós simples mortais,
Sem futuro nem memoria.
Quando acordares,
Estarás morto,
Sem te lembrares do teu vulto.
Olhas em redor
E nada vês.
Sentes o calor
Fugir-te dos pés
Estático permaneces deitado,
De pé na tua mente.
Sentes a falta de ti,
Ou de qualquer outro presente.
Estás só
O que sempre foste.
És o nó,
Que tu próprio deste.
Não podes desatar,
Nem sequer o podes cortar.
A memória do teu passado
Não consegues apagar.
Aquilo que agora vês,
É a fome de viveres
Mas ao invés
Só estás a morrer.
A morte é o futuro,
Sem a vida ser o passado.
O teu corpo é um muro
Que não consegue ser amado.
Permanece como estás,
Verde como a carne
Podre do teu coração.
Torna-te imune
Á tua própria destruição
Adeus Homem,
Que de Humano nada tens.
Os canibais que te comem,
Não são apenas animais.
São tudo o que tu és,
Também comem vegetais
A razão deles não vês,
E as suas preces são banais.
Os teus olhos são pedras,
Os nossos também.
Com eles nada tens,
Sem eles nada vês.
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